
O acordo comercial entre UE e Mercosul é um tratado que prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com um mercado de 780 milhões de pessoas e que representaria cerca de 20% do PIB mundial e mais de 30% das exportações globais. O acordo está em negociação entre os dois blocos desde 1999 e foi assinado em junho de 2019.
Entretanto, o acordo enfrenta resistência de alguns países europeus, principalmente por questões ambientais e agrícolas. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva prometeu concluir o acordo até a metade de 2023, durante a visita do chanceler federal alemão Olaf Scholz a Brasília. O ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, também previu que o acordo possa entrar em vigor até o fim de 2022.
O governo português, que preside a comissão europeia até junho, tem demonstrado boa vontade em ajudar na ratificação do acordo. Desse modo, o Brasil espera concluir o processo neste ano, segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa.
Vale ressaltar que este acordo UE-Mercosul é um projeto ambicioso e complexo, que envolve muitas questões técnicas, políticas e jurídicas. É difícil prever todos os seus efeitos, mas é importante que os países busquem um equilíbrio entre os benefícios e os custos do acordo, considerando as necessidades e as expectativas de seus cidadãos.
Como o acordo UE-Mercosul pode afetar a economia do país?
O acordo Mercosul pode afetar a economia brasileira de diversas formas, tanto positivas quanto negativas, dependendo do setor e do cenário. Como o aumento das exportações brasileiras para a União Europeia, principalmente de produtos agropecuários e minerais, que terão tarifas reduzidas ou eliminadas.
Além disso, poderá haver um aumento das importações brasileiras de produtos industriais e de serviços da União Europeia, que também terão tarifas mais baixas ou nulas. Ainda nesse contexto, a concorrência deverá aumentar para alguns setores industriais e agrícolas brasileiros, que podem perder mercado interno ou externo para os produtos europeus mais competitivos.
Vale ressaltar ainda que o acordo Mercosul pode afetar os pequenos produtores rurais de diferentes formas, dependendo do tipo de produção e do mercado que atendem. Isso significa que os produtores rurais podem ter alguma dificuldade de acesso ao mercado europeu, que exige o cumprimento de normas ambientais, trabalhistas e sanitárias rigorosas, que podem encarecer a produção ou gerar barreiras não tarifárias.
Produtos agrícolas europeus que concorrem com os brasileiros

Hoje, existem alguns produtos agrícolas europeus que concorrem com produtos brasileiros, como: carne bovina, que pode entrar no mercado brasileiro com tarifas mais baixas ou nulas, e que conta com subsídios e padrões de qualidade elevados na Europa. Além da carne bovina, o açúcar, que pode perder mercado externo para o produto europeu mais competitivo, especialmente nos países africanos. E a Celulose, que pode enfrentar maior concorrência do produto europeu, com maior valor agregado e maior demanda por papel reciclado.
Dentre os produtos que concorrem com os brasileiros, existem alguns que podem obter vantagem com este acordo, por exemplo: suco de laranja, frutas, café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão tarifas eliminadas para entrar no mercado europeu. Além das carnes bovina, suína e de frango, açúcar, etanol, arroz, ovos e mel, que terão acesso preferencial ao mercado europeu, com cotas e tarifas reduzidas. Entre outros produtos como: cachaças, queijos, vinhos e cafés, que terão reconhecimento como distintivos do Brasil e proteção de suas indicações geográficas na Europa.
Como os produtores brasileiros podem se preparar para o acordo?
Os produtores brasileiros podem se preparar para o acordo de várias formas, buscando informações sobre as oportunidades e os desafios do mercado europeu, como demandas, preferências, exigências e concorrentes. Investindo em qualidade, inovação, diversificação e agregação de valor aos seus produtos, buscando atender aos padrões e às normas europeias.
Ainda nesse contexto, os produtos podem participar de programas de certificação, rastreabilidade e sustentabilidade, facilitando o acesso ao mercado europeu e aumentando a confiança dos consumidores, alguns especialistas ainda indicam, a integração em cadeias produtivas mais dinâmicas e diversificadas, que possam estimular a cooperação, a complementaridade e a competitividade dos produtores.
Além de buscar apoio do Estado e de organizações sociais para obter crédito, assistência técnica, capacitação e acesso a mercados. Existem alguns programas de certificação que podem ajudar o produtor como: a certificação bonsucro, que define os princípios e critérios para uma produção e cadeia de cana-de-açúcar sustentáveis, abrangendo os aspectos econômicos, sociais e ambientais. Entre outros programas que possuem custos diferentes, por isso, você que é produtor deve pesquisar o programa segundo o seu perfil.
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