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O Aluguel Vai Aumentar? Saiba Como Negociar o Reajuste 

Recebeu aquela cartinha ou e-mail da imobiliária avisando do aniversário do contrato? O coração dispara e a preocupação bate. Mas calma: o reajuste não é uma sentença final.

O Aluguel Vai Aumentar? Saiba Como Negociar o Reajuste
Fonte: Google

Para quem mora de aluguel, poucas coisas geram tanta ansiedade quanto o mês de renovação do contrato. O medo de o valor subir demais e não caber no orçamento — ou pior, ter que sair correndo atrás de fiador e mudança — tira o sono de muita gente.

Mas aqui vai a verdade que pouca gente te conta: proprietários detestam imóvel vazio tanto quanto você detesta mudança. Um imóvel fechado gera despesa (condomínio, IPTU, manutenção) e zero lucro. É nessa brecha que mora o seu poder de negociação. Se você é um bom pagador, você tem as cartas na manga. Vamos aprender a jogar?

Entenda a “Sopa de Letrinhas”: IGPM ou IPCA?

Antes de ligar para o dono, olhe o seu contrato. Qual é o índice de reajuste?

  • O Vilão (IGPM): Historicamente usado em aluguéis, o IGPM (Índice Geral de Preços de Mercado) é volátil e muitas vezes dispara muito acima da inflação oficial, tornando o reajuste inviável.
  • O Justo (IPCA): É a inflação oficial do país (o custo de vida real).
  • A Estratégia: Se o seu contrato está pelo IGPM e ele subiu muito, a primeira proposta de negociação de aluguel é pedir a troca pelo IPCA. Argumente que o seu salário não subiu como o IGPM e que o IPCA reflete melhor a realidade do país. Muitos proprietários aceitam para não perder o inquilino.

Faça o Dever de Casa (Pesquise o Mercado)

Não adianta pedir desconto só “porque sim”. Você precisa de dados.

  • A Pesquisa: Entre em sites de imóveis (Zap, OLX, QuintoAndar) e veja quanto estão cobrando por apartamentos parecidos com o seu, no seu prédio ou na mesma rua.
  • O Argumento: Se o vizinho está alugando por R$ 2.000 e o seu reajuste levaria o aluguel para R$ 2.500, tire prints e mostre ao proprietário. Diga: “O mercado está cobrando X, se eu sair, o senhor provavelmente vai alugar por esse valor menor e ainda terá os custos da vacância”. Contra fatos, não há argumentos.

Use o Seu Histórico de “Bom Pagador”

Isso vale ouro. Um inquilino que paga em dia, cuida da casa e não dá dor de cabeça para o síndico é o sonho de qualquer dono.

  • Lembre-o disso: Na hora de negociar, reforce suas qualidades. “Seu João, estou aqui há 3 anos, nunca atrasei um dia, cuido do imóvel como se fosse meu.”
  • O Medo do Desconhecido: Trocar um inquilino certo por um desconhecido é um risco enorme para o proprietário. Use isso a seu favor para segurar o aumento.

A Troca Inteligente: Benfeitorias x Desconto

O proprietário não quer baixar o valor? Tente uma negociação lateral.

  • Melhorias no Imóvel: O apartamento precisa de pintura nova? Um armário embutido? Box no banheiro? Proponha que você faça essa melhoria e o valor seja descontado do reajuste ou abatido nos próximos aluguéis.
  • Ganha-Ganha: Você ganha mais conforto morando lá e o proprietário ganha um imóvel mais valorizado. É um acordo onde ninguém perde.

Formalize Tudo 

Conseguiu um desconto? Ótimo! Agora, coloque no papel.

  • O Perigo do “Boca a Boca”: Nunca confie apenas num áudio de WhatsApp ou numa conversa de elevador.
  • O Aditivo: Peça para a imobiliária fazer um aditivo ao contrato de locação ou, no mínimo, troquem e-mails formalizando o novo valor e o período de validade desse acordo. Isso protege seus direitos do inquilino caso o proprietário mude de ideia ou venha a falecer.

Negociar é um Direito, Não um Favor

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Fonte: Google

Não tenha vergonha de negociar o reajuste de aluguel. O “não” você já tem no boleto que chegou. Entenda que a negociação é uma conversa comercial entre dois interessados: você quer morar e ele quer lucrar.

Respire fundo, junte seus argumentos, mostre que você é um parceiro confiável e proteja seu teto. Na maioria das vezes, o bom senso prevalece e o acordo sai.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O proprietário é obrigado a negociar?

Por lei, não. O que vale é o que está escrito no contrato. Mas o mercado imobiliário funciona na base do acordo. Se ele for irredutível, você tem o direito de sair (respeitando o aviso prévio) sem pagar multa se o contrato já tiver passado do prazo determinado (geralmente 12 ou 30 meses).

2. O que é melhor: IGPM ou IPCA?

Para o inquilino, quase sempre o IPCA é melhor e mais estável, pois acompanha a inflação do supermercado e serviços. O IGPM é muito influenciado pelo dólar e pode dar saltos gigantescos.

3. Posso ser despejado se não aceitar o reajuste?

Se o reajuste seguir estritamente o índice do contrato, você deve pagar. Se não pagar, fica inadimplente e pode sofrer ação de despejo. Se o valor for abusivo (acima do índice), você pode contestar judicialmente, mas o ideal é sempre o acordo amigável.

4. Como calcular o novo aluguel?

Pegue o valor atual e multiplique pelo índice acumulado dos últimos 12 meses. Exemplo: Aluguel de R$ 1.000 com IPCA de 5%. Conta: 1.000 x 1,05 = R$ 1.050,00. Existem calculadoras online fáceis para isso.

5. O reajuste é automático ou precisa de aviso?

Geralmente é automático no mês de aniversário do contrato, mas a imobiliária ou proprietário costumam enviar o boleto já com o valor novo. É boa prática avisar antes, e é nesse momento que você deve entrar com a negociação.

Formado em Administração Especialista em finanças, economia e investimentos. O seu objetivo é transformar a vida das pessoas por meio do conhecimento e da informação com conteúdos claros, simples e sem "economês".